Osvladir Custódio - Psiquiatria

O que causa síndrome de pernas inquietas?

Osvladir Custódio • 2 de novembro de 2021

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 O que é síndrome de pernas inquietas?


A Síndrome das Pernas Inquietas ou Doença de Willis-Ekbom é caracterizada por uma necessidade urgente de mover as pernas em situações de repouso, geralmente, acompanhada por uma sensação desagradável nas pernas.

Estes sintomas aparecem ou pioram no final do dia, nas situações de descanso e são aliviados com movimento. Isso pode conduzir a graves perturbações de sono (p. ex., insônia), que pode motivar a consulta.

A síndrome de pernas inquietas pode associar-se a movimentos periódicos de pernas, a mioclonia noturna, em até 80% dos casos. Movimentos periódicos dos membros é um transtorno do sono distinto e caracteriza-se por movimentos involuntários e periódicos dos membros durante o sono associados com despertares.

Movimentos periódicos dos membros, durante o sono, são comuns e geralmente assintomáticos quando pouco frequentes e não associados a outros transtornos do sono. Nos casos com mais de 30 movimentos por hora, podem perturbar o sono e causar sintomas diurnos.


Síndrome de pernas inquietas são comuns?


É uma síndrome comum que afeta entre 5-10% da população geral. Ocorre mais frequentemente em mulheres e com o passar dos anos. Mulheres têm maior risco durante gravidez e com aumento do número de partos.

A distribuição da idade é bimodal. O aparecimento antes dos 45 anos sugere uma forma sem causa subjacente conhecida e influenciada pela história familiar. Após os 45 anos, sugere uma forma secundária com uma causa subjacente e sem influência da herança familiar.

Síndrome das pernas inquietas é chamada secundária quando ocorre associada a várias doenças ou condições médicas: deficiência de ferro, diabete melito, doença renal grave, doenças reumatológicas (p. ex., artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico), doenças pulmonares, doença neurológicas (p. ex., doença de Parkinson, esclerose múltipla, enxaqueca) e doenças gastrintestinais (p. ex., doença celíaca, Doença de Crohn).

Existe a maior prevalência de ansiedade, depressão e transtornos somatoformes em pacientes com síndrome de pernas inquietas. Os antidepressivos - inibidores seletivos de recaptação de serotonina, mirtazapina, e duloxetina-, aumentam levemente o risco de apresentar ou exacerbam síndrome de pernas inquietas. Bupropiona – um antidepressivo que modula o sistema dopaminérgico – está associada à redução desses sintomas.

Como se faz o diagnóstico de síndrome de pernas inquietas?


Algumas perguntas simples para triagem de síndrome das pernas inquietas são: “quando você tenta relaxar no fim de tarde ou dormir à noite, você já teve sensações desagradáveis nas pernas ou sente que não as pode repousar? e essas sensações podem ser aliviadas por caminhada ou movimento?”

O diagnóstico é essencialmente clínico. Como guia, há são cinco critérios diagnósticos cardinais de síndrome de pernas inquietas.

  • Necessidade irresistível e intensa de mover as pernas, geralmente, acompanhada ou causada por sensações de parestesia desagradáveis nas pernas.
  • A necessidade de mover as pernas ou a sensação desagradável de desconforto começa ou piora com a pessoa sentada ou deitada, durante períodos de repouso ou inatividade.
  • A necessidade de mover as pernas ou a sensação desagradável é aliviada parcial ou totalmente por movimentos como, p. ex., caminhar, alongar-se, curvar-se.
  • A necessidade de mover as pernas ou a sensação desagradável apresenta uma característica circadiana, surgindo ou piorando no final do dia e à noite. As queixas são geralmente mais leves durante o dia do que à noite.
  • Não é causada por outra patologia. Para fazer o diagnóstico, é necessária a exclusão de patologias que mimetizam síndrome de pernas inquietas como, por exemplo, mialgia, estase venosa, edema nas pernas, artrite, câimbras nas pernas, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade,  síndrome das pernas dolorosas com movimentos dos artelhos, acatisia hipotensiva, estados de ansiedade, delírio de infestação dos membros, estados de excitação maníaca, tremor ortostático, desconforto posicional, flutuações motoras no paciente parkinsoniano, dor do crescimento, mioclonia noturna, distúrbio rítmico do movimento relacionado ao sono, estereotipias (balançar as pernas ou pés) e tremor ortostático.


Como se trata síndrome de pernas inquietas?


O tratamento envolve várias propostas e, mesmo quando tratado adequadamente, alguns sintomas com gravidade variável persistem em até 40% dos pacientes.

  • Psicoeducação dos pacientes e familiares.
  • Pacientes com deficiência de ferro ou ferritina em nível baixo precisam ser suplementados com ferro.
  • Nicotina, cafeína e álcool podem exacerbar a síndrome das pernas inquietas, por isso, pacientes devem ser orientados a interromper o uso ou, pelo menos, reduzir o consumo.
  • Sempre que possível, medicamentos que causam ou pioram a síndrome devem ser reduzidos ou retirados.
  • Muitos relatam os benefícios da terapia de relaxamento antes de dormir, como ioga, alongamento, e massagens nos membros afetados.
  • Adotar medidas de higiene de sono.
  • Para aqueles com insônia crônica, pode ser útil a terapia comportamental cognitiva para insônia
  • O tratamento farmacológico pode envolver o uso de medicamentos como agonistas da dopamina, alguns anticonvulsivantes, opioides e benzodiazepínicos. 



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